Quinta-feira, Março 09, 2006

 

O marido complacente


"Toda a França sabia que o príncipe de Bauffremont tinha, pouco mais ou menos, os mesmos gostos do cardeal do qual acabamos de falar. Tomou em casamento uma donzela totalmente inexperiente a qual, segundo o costume, haviam instruído somente na véspera.

- Sem maiores explicações - sua mãe lhe disse - como a decência me impede de entrar em certos detalhes, só tenho uma coisa a recomendar, filha minha: desconfiar das primeiras proposições que faça vosso marido e constestar com firmeza: "Não senhor, não é por aí que se toma uma mulher decente, por qualquer outro caminho, mas por aí de forma alguma...".

O príncipe, querendo fazer as coisas como Deus manda pelo menos uma vez, não propõe a sua mulher mais nada além dos castos prazeres do himeneu; porém a jovem, bem educada, lembra-se da lição:

-Por quem me toma, senhor? - diz ela- Acreditou que eu consentiria em algo de semelhante? Por qualquer lugar que gostes, porém por aí de jeito nenhum.

- Mas senhora...

- Nao, senhor, por mais que insistas, nunca permitirei isso.

Bom, senhora, serei complacente -contesta o príncipe, apoderando-se de seu altar predilecto-. Muito me desgostaria que dissesses que te contrariei alguma vez....

E venham agora dizer-nos que não vale a pena ensinar às filhas o que têm que fazer com seus maridos."

Marquês de Sade

Comments:
Belo post, Luís!...

Com toda a certeza, e tudo com toda a naturalidade, sem qualquer tipo de preconceito.;)
 
Mas afinal quem era o cardeal? O Cerejeira? :-)))
 
A verdade é que, quando lidando com verdadeiras donzelas se deve tanto quanto possível ensinar tudo o que sabe da arte.
 
afinal não sou o único imbejoso... :p (pa inha)

Mas que belo conto... dos melhores!
 
Eu vi!:P
 
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