Domingo, Março 12, 2006

 

Ideais de plástico

Vénus ao Espelho, Ticiano.

Desde meados do século passado e com a ascensão da indústria da moda temos vindo a assistir à glorificação de um ideal de beleza feminino que se pretende universal e se auto-assume como representação máxima da perfeição estética. Esse ideal de beleza, caracterizado por formas esguias e até angulares, informa às mulheres que devem ser elegantes, esbeltas, magras. Por outro lado, a sociedade capitalista em que vivemos promove o ideal com o intuito de lhes vender os mil e um produtos que, supostamente, as transformarão, como num passe de magia, em top-models da noite para o dia; em figuras enigmáticas e esquálidas - magras. De yogurts light até cintas adelgaçantes passando por sessões completas de terapia física em ginásios, vale tudo até se atingir o peso "correcto", na corrida à magreza. Haverá, nos dias que correm, pior insulto que se possa proferir a uma mulher que valorize a sua aparência física do que dizer-lhe: “Estás mais gorda”? Contudo, como todos os conceitos, o conceito de beleza muda no Tempo e no Espaço. Ainda hoje, apesar de globalização, que tende a uniformizar os critérios, o que será belo numa aldeia remota da Nova Guiné não o será em Lisboa e vice-versa. No Tempo, não é necessário recuar muito para se encontrarem exemplos variados de ideais de beleza feminina muito diferentes do contemporâneo. E, talvez, até mais sadios e mais "belos". Pessoalmente, fico-me pelo representado acima.

Comments:
Bom dia Luís.

Excelente post e excelente ponto de vista.


Parabéns!
BeijInha


P.S. Vê as meninas Renoir.
 
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